Sobrevivi ao Carnaval
fevereiro 19, 2013Ta difícil voltar à realidade depois do Carnaval. Não que eu não queira, apenas as mazelas acumuladas no período momesco que não deixam. Foram cinco dias intensos de festa, boas doses de alegria, arrepios provocados por emoções nunca vividas, sol na moleira e cerveja pra dentro. Sim, foi tudo isso.
Fui para a Bahia. Deixei Pernambuco fervendo e segui para a capital baiana para experimentar o tão falado e caro carnaval dos vizinhos. Deixei as fantasias que fazem parte do cenário das ladeiras de Olinda e vesti o abadá, tão criticado pelos meus conterrâneos. Dei um de rico, como muitos falaram, por ter pago um preço tão alto para seguir atrás de um trio elétrico, isolado por uma corda, ao ritmo de dancinhas esquisitas e versos recheados de vogais. Cantei todas: a e i o u!
Fui e aproveitei cada centavo investido. Cantei todas as vogais até a voz sumir. Adquiri uma dor no joelho graças as dancinhas esquisitas. Fiz tudo isso enquanto tinha gente preocupada com as minhas contas, que por sinal já estavam pagas. Deixei o meu "Estado de alegria" e fui aproveitar a folia baiana da forma mais intensa possível. E quem tiver seus preconceitos que fique com eles. Não tive nem tenho tempo para esse tipo de assunto. Aproveitei e digo mais: foi FODA!
Ainda tentei manifestar o que senti nas redes sociais, mas fui logo recriminado pelos defensores da cultura local. Mas onde eu estava tinha frevo, minha gente. E muito! Ouvi Vassorinhas na mesma proporção que ouço nas ladeiras olindenses. Frevei mais que o meu normal na minha terra natal. As dores no joelho devem ser até por conta de uma tesoura mal feita.
A verdade é que o bairrismo pode cegar a percepção da cultura que se manifesta ao lado. O fato de ter sempre uma dancinha nova e uma nova junção de vogais vai de encontro aos interesses dos conservadores que preservam as mesmas músicas para determinada época do ano. Longe de mim achar que a "madeira de lei que cupim não rói" deve ser descartada. Apenas quero ter o direito de ouvir o arerê sem ser criticado. Da mesma forma que respeito a Noite dos Tambores Silênciosos, evento que já fui mais de uma vez e acho uma das manifestações mais lindas do Candomblé durante o Carnaval, quero seguir atrás do trio da Timbalada. Da mesma forma que vibro com o Banho de Cheiro de Elba Ramalho, quero me arrepiar com Ivete cantando Baianidade Nago. Da mesma forma que me emociono ouvindo o Hino de Pernambuco, não vejo motivos de ignorar a emoção do baiano ao ouvir o Hino do Nosso Senhor do Bomfim.
Já escrevi demais e não quero me estender, mas não posso deixar de agradecer a hospitalidade calorosa dos meus amigos baianos W.Jr e Morgana, família e amigos, por fazerem parte de uma história que terá continuidade em 2014. Quanto às dores, doenças adquiridas e dinheiros gastos, fica tranquilo que a vida segue e eu tenho histórias para contar.

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