Foi tesão, piá

março 29, 2013


Sempre ouvi dizer que é bom morar em Curitiba. A cidade permite uma qualidade de vida superior a qualquer outro local do País, somatizando clima e serviços. Mas confesso que nunca tive o sonho de visitar a região. Contudo, aproveitando uma folga, promoções de passagens aéreas e uma amiga morando lá, enchi a mala e segui para conhecer esse tal paraíso.

Verdade, a cidade é linda, limpa, clima agradável, gente bonita e eu no meio, solto, batendo pernas e conhecendo o que era possível. Com a mochila nas cotas, peguei a tal da Jardineira (ônibus de turismo que percorre todos os pontos turísticos da cidade) e segui em busca de descobertas.

No primeiro dia procurei os principais cartões postais da cidade, reforçados também por quem conhece, minha amiga Aline, que é do Recife, mas está morando lá. A primeira parada foi no Jardim Botânico. São 245 mil m² de belezura. Muito verde, muitas flores e espécies diferentes de plantas. Cada detalhe deixa claro que não é a toa que os jardins geométricos e a estufa com três abóbodas encanta o visitante. 



Seguindo o caminho das descoberta, a segunda parada foi na Ópera de Arame. Quando decidi seguir para Curitiba, não tive o cuidado de ler sobre a cidade. Sabia que tinha umas coisas bonitas para ver, mas não tinha noção do que iria encontrar. Sendo assim, quando cheguei na Ópera, olhei para o aramado no meio de pedras, águas e plantas e pense: bonito, mas serve pra quê? Aí eu entrei e fui entender o babado. O espaço é um teatro, criado no meio de uma antiga pedreira. Fiquei encantado com a proposta e desejando assistir a uma apresentação ali, à noite. Um dia quiçá!



Finalizando o primeiro dia de peregrinação, ainda passei por Santa Felicidade, um bairro de Curitiba, famoso por concentrar a cultura italiana. É, na verdade, um polo gastronômico, com várias opções de restaurantes. Numa rápida análise, um dos locais em que mais se concentram informações culturais na cidade e que ajudaram na formação dos costumes locais. 

Apesar do cuidado e beleza de todos os parques da cidade, é perceptível que eles foram criados para explorar o turismo na região, agregando a qualidade de vida dos moradores. Também passei pela Torre Panorâmica da Oi, que também está no circuito da Jardineira. São quase 110 metros de altura, proporcionando uma visão de 360º da cidade.

No dia seguinte resolvi revisitar o Jardim Botânico e a Ópera de Arame, mas sem fazer cara feia. O restante do dia dividi entre o Memorial Polonês, inaugurado após a visita do Papa João Paulo II, em 1980. Também conhecido como Bosque do Papa, o local parece jardim de casa de vó. Por lá encontramos sete casas construídas com troncos de pinheiro encaixados, que foram transportadas do entorno de Curitiba para o local. Além disso, outros elementos que remetem à cultura polonesa. Tudo muito fofinho! Só não encontrei gnomos. O cenário era propício para isso.



Na trilha de João e Maria, ou Bosque Alemão, se preferir, degustei o melhor bolo de amora do mundo. Lá também comprei uns biscoitos açucarados com geleia de uva, o perfeito desmantelo! Voltando para a trilha, segui o caminho pelo meio da mata preservada, acompanhando a história que foi imortalizada pelos Irmãos Grimm. São doze painéis azulejados e a casa da bruxa, mas senti falta dos doces. Nada de jujubas ou biscoitos de chocolate. Abstraí a decepção.



Por fim, segui para o Parque Tanguá. Mais uma espaço criado em uma antiga pedreira. O local é enorme e possui dois lagos e um túnel artificial, mas não entrei pelo buraco. Só dei uma volta, vi a cachoeira, bati uns retratos e subi para pegar o ônibus para casa.



De fato, a cidade é linda e encanta. O clima ajuda nesse processo. Mas senti falta de calor humano. Todas as pessoas simpáticas e comunicativas que conheci não eram de Curitiba. Reservadas ou não, quando se é acostumado a risos, apertos de mão e até abraços de desconhecidos, a gente meio que acha estranho quando não encontramos tudo isso na casa dos outros. Os parques também não ajudam a contar a história da cidade. A grande maioria foi construída na década de 1990, aproveitando espaços ou homenageando culturas que de certa forma ajudaram a construir a identidade cultural da região. Mas assim... toda e qualquer crítica que eu pensar em fazer, não se sustenta ao chegar no Recife e encarar esse calor proporcionado pelo clima seco e vias que não andam. E Aline, obrigado por me receber tão bem na sua casa e aumentar a minha bagagem de repertório. :)

You Might Also Like

0 comentários

Popular Posts

Like us on Facebook

Flickr Images